Mais sobre o processo seletivo

Na Câmara de Vereadores hoje, bastante platéia, formada principalmente por guris e gurias, na espera de uma resposta plausível sobre as supostas fraudes no processo seletivo para estagiários da Prefeitura.
No entanto, o que se assistiu foi um show de horrores. O Secretário Bira deu as explicações que julgou serem necessárias, porém, não conseguiu se desvincilhar do fardo, tampouco convenceu os que estavam ali. 
Com todo o respeito ao Secretário, querer levar a coisa para o lado da legislação eleitoral soa um deboche. Primeiro porque todos sabiam dos prazos que a lei estipula, ela não caiu do nada nesse exato momento, depois os fins não justificam os meios. Querer validar um concurso cheio de irregularidades e pairado nas suspeitas de fraude, só pelo fato de a Prefeitura ficar sem estagiários durante seis meses (depois do dia 07 de julho, pela Lei Eleitoral, não pode aumentar despesas com pessoal) é um verdadeiro bombardeio à ética e à moral pública.
Pelo depoimento dos jovens que foram à Câmara hoje, ficou evidente a tentativa de fraude. Embora o secretário tenha declarado veementemente não ter havido fraude ou beneficiamento de ninguém, as conclusões tiradas dão conta do contrário.
O grupo foi representado em plenário pelo jovem Leandro Afonso, que salientou, entre outras coisas, que as questões da prova em sua maioria foram tiradas de uma única apostila da internet; ainda, fiscais eram estagiários da própria Prefeitura, que as provas eram exatamente iguais para quem prestava concurso para ensino médio e para de nível superior.
Vereadores Mauro Nolasco e Paulo Ávila, com Sec. Bira e o jovem Leandro
Infelizmente isso tudo tenha ocorrido em ano eleitoral, por mera coincidência é claro, assim qualquer coisa que deva ser feito, deve ser antes do dia sete de julho. Caso contrário, novo exame seletivo apenas depois de janeiro de 2013.
Porém, com todos esses indícios de irregularidades não é crível que tal certame possa ser validado.
Muito embora o secretário, tenha tentando desqualificar as denúncias, ao dizer que tirar coisas da internet não é ilegal, tenho que salientar que existe uma lei que protege os direitos autorais do autor. Dessa forma, a empresa poderia usar questões de outras instituições, desde que citasse a fonte e tivesse autorização para isso, já que se trata de uso para fins lucrativos. Nesse caso, a empresa cometeu um crime contra os direitos autorais. Do mesmo modo, tirar mais da metade das questões de uma apostila colocada na internet, em um saite de compartilhamento, é completamente imoral e até vergonhoso para uma empresa que vence uma licitação e cobra pelo serviço prestado. Assim, a administração deve cobrar da empresa Eccos uma explicação.
Em relação aos prazos estipulado em lei para contratação, todos sabiam que era assim. O própro Secretário disse que estava trabalhando nesse processo a quase um ano. Ora um ano? Tiveram um ano para fazer as coisas certas e fazem tudo errado! Isso é inacreditável. E isso que a Câmara interveio outras vezes, senão a situação estava bem pior. 
Os jovens que se encontravam na Câmara ratificaram o desejo de levar o caso ao MP.  E com todo o respeito, Secretário, se ficar provado as irregularidades, podem haver 99 a favor e apenas um contra, o certame será anulado da mesma forma. Porque estamos falando de ética e moral pública, que está acima do interesse particular.

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