CORSAN e SANEP firmam protocolo de intenções

Confesso que foi com certa surpresa e até espanto que li na imprensa na semana passada a intenção da CORSAN em um acordo com o SANEP ir buscar água no São Gonçalo.
Até aqui nenhuma surpresa, porque parceria público-privada ou pública-pública (como é o caso) é normal e completamente viável.
No entanto, algumas questões não foram respondidas, nem por uma nem por outra empresa.
Pelotas tem uma população 14 vezes maior que a nossa. O dia que em que faltar água, onde faltará primeiro?
O SANEP pagará alguma contra-prestação ao município do Capão do Leão pelo uso e consumo de água ou sairá de graça de nosso município?
Vale lembrar que muitos recursos naturais que estão dentro do nosso município, pertencem hoje à Pelotas, como a EMPEM e a Hidráulica. Será que a ETA do São Gonçalo será mais um?
Outra questão que deve ser levantada é que a CORSAN possui um contrato com o Município com prazo de duração de 25 anos. O SANEP não possui nenhuma ligação legal com o Capão do Leão. Quando houver problemas no abastecimento, de quem será a responsbilidade? Ainda, nesse contrato assinado entre CORSAN e Município está uma exigência de que no prazo máximo de cinco anos da assinatura, a empresa concessionária buscaria água direto do São Gaonçalo, para abastecer todo o município, não só parte dele (Jardim América) como está sendo colocado.
Pelo estudo feito, a ETA do São Gonçalo terá capacidade  de 500 l/s e a necesseidade do Jardim América é de 10 por cento disso (não foi levado em conta outras localidades do município). Sendo assim, cerca de 450 l/s serão tratados diretamente para a população de Pelotas.
As perguntas que se fazem são: 1 - CORSAN vai cumprir o prazo de cinco anos, sendo q um já passou, independentemente de parceria? 2 - Fora o Jardim América, o restante do município continuará sendo abastecido pelo Arroio Padre Doutor? 3 - Foi levado em conta nesse estudo que a população do Capão do Leão possa aumentar e necessitar mais do que 50 l/s? 4 - Desses restantes 90% de água tratada para fora do município haverá alguma contra-prestação ou alguma redução na tarifa como benefício?
Não sou contra a parceria, acredito, inclusive, que esse seja o caminho mais viável economicamente. Porém, a parceria deve ser boa para os dois municípios. 

Informações: www.corsan.com.br

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