Editorial: Capão do Leão na rede

*Têm surgido no Capão do Leão, nesses últimos meses, muitos grupos de discussões virtuais.  São diversos, que falam desde os eventos na nossa cidade até as discussões mais calorosas sobre política e problemas enfrentados por moradores e visitantes.
Esses grupos estão quase que cem por cento em redes sociais, como o Facebook. Alguns têm mais de dois mil participantes. E alguns participam em mais de um grupo. Esses grupos foram criados pelos próprios usuários da rede social e os motivos que levaram a isso podem ser os mais diversos: promover eventos, talentos, ajudar nossos irmãos mais necessitados ou simplesmente instigar a discussão sócio-política de nosso município. E é nesse último quesito que quero me ater mais a partir de agora. 
Alguns grupos políticos servem de elo entre a comunidade local e o Poder Público, tanto Executivo como Legislativo. Foram criados para chamar a atenção de nossos governantes para os sérios problemas de nossa cidade.
Não é e não serve como canal oficial de qualquer órgão da administração, mas seguidamente tem aparecido detentores de cargos públicos para se explicar ou dar alguma satisfação aos vários pedidos e apelos por ali feitos. E não raras vezes são os nossos políticos criticados nesse cenário virtual. E muitas dessas críticas ultrapassam o limite da razoabilidade e passam a ser ofensas. Porém, essas ofensas às vezes são rebatidas e se tornam um debate super acirrado, muitas vezes de um tema que não tem importância nenhuma para a cidade.
Além disso, deve-se analisar o mau uso dessa ferramenta por pessoas de quem se espera uma atitude mais reservada. No último mês, por exemplo, tivemos uma protagonização tanto ridícula de uma pessoa pública na cidade, que soltou piadinhas e charadinhas para quem de direito quisesse ver e ler. Não é a atitude que esperamos de um representante do povo.
Mas o debate não para por aí. Os grupos têm servido também de palanque eleitoral para muitos que já pensam em serem candidatos nas próximas eleições municipais. Muitos usam essa ferramenta para autopromoção, mostrando seus “feitos” e atos. Isso ocorre freqüentemente. Todos querendo mostrar suas grandes obras.
Mas a pergunta que fica é: até onde os “feitos” são realmente feitos? Ir para a internet criticar, escrever palavras bonitas e bem arrazoadas, mostrar fotos com altas autoridades, parece-me uma tarefa simples. No entanto, sair da plataforma digital para real é uma tarefa bem mais árdua e que exige mais tempo e disposição do que o simples fato de estar sentado na frente de um computador com uma metralhadora e atirando para tudo quanto é lado. 
Entretanto, o que salva esses grupos do ostracismo é a disposição de gente bem intencionada, que não buscam nada além de ajudar o próximo e mostrar nossa cidade. Porque criticar faz parte. Exigir das autoridades também. Mostrar a realidade de nosso município e pedir soluções é parte intrínseca de nossa natureza humana. Mas todas as coisas têm um limite. Tudo deve ser feito com o mínimo de razoabilidade e bom senso. E isso deve caminhar junto com todos os participantes desses grupos, sob pena de perderem o senso crítico. Assim deve caminhar o Capão do Leão na rede.

*Editorial escrito para a última edição do Jornal O Leonense

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