Trem de passageiro: Ministério dos Transportes dá sinal verde

O Ministério dos Transportes aprovou o projeto de implantação de um trem de passageiros interligando Capão do Leão, Pelotas, Rio Grande e o balneário Cassino. A decisão foi tomada a partir do estudo realizado pelo Laboratório de Transportes e Logística da Universidade Federal de Santa Catarina (Labtrans/UFSC). Uma audiência pública para apresentação do resultado do estudo e as perspectivas futuras do projeto deverá ser realizada ainda este ano na região. O custo total para implantação do trem regional chega a R$ 780 milhões e para viabilizar o investimento, o governo deve firmar uma Parceria Público Privada (PPP).
Um dos principais indicadores da viabilidade do projeto veio da população ouvida pelos pesquisadores do Labtrans, no final do ano passado, nas estradas da região. Dos 7.096 entrevistados, um total de 53,8% disse estar disposto a trocar seu atual meio de transporte (carro ou ônibus) pelo trem. A partir disso os cálculos realizados indicam uma demanda que pode chegar a 45 mil passageiros por dia. Critérios como custo mais baixo, menor tempo de viagem e maior segurança foram destacados pelos entrevistados para justificar a opção em trocar o atual modal de transporte pelo trem.
A viabilidade financeira do projeto também foi confirmada pelo estudo, que apresenta como alternativa mais favorável à implantação a constituição de uma PPP, com 63% de participação da governo federal e 37% de investidores privados. Ao analisar a viabilidade ambiental do projeto, o estudo não aponta maiores problemas ao constatar “uma baixa riqueza de espécies vegetacionais e faunísticas, com relação à vizinhança local a mesma já convive diariamente com o tráfego de trens”.
“Os resultados foram excelentes sobre todos os pontos de vista”, atesta o coordenador do Labtrans, Rodolpho Philipi.

Novos caminhos de ferro
O plano de implantação proposto pelos engenheiros do Labtrans prevê a construção de uma nova linha férrea exclusiva para o trem de passageiros, uma vez que foi considerado inviável o compartilhamento da atual malha ferroviária usada para o transporte de cargas.

O trajeto desenhado pelos engenheiros - a partir das propostas apresentadas pelas comunidades das três cidades nas audiências públicas e reuniões realizadas entre 2011 e 2012 - segue em sua maior parte o mesmo caminho percorrido pela ferrovia já existente, mas também apresenta alguns trechos novos, com o objetivo de levar o trem de passageiros até os campi da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Fundação Universidade do Rio Grande e até o Cassino (Furg).
Como o objetivo do trem é melhorar a mobilidade de trabalhadores, estudantes e turistas entre as três cidades, o traçado prevê uma linha circular por dentro da área urbana de Rio Grande, passando pelo Porto Novo, Polo Naval e Superporto. “A grande demanda foi o fator determinante para a escolha do traçado ao longo da península do Rio Grande, pois neste trajeto os cálculos feitos apontam para uma demanda de até 14 mil passageiros por dia”, explica o engenheiro do Labtrans, José Chraim.

Tarifa pode ser 60% mais barata
Uma tarifa mais baixa que a praticada pelos ônibus intermunicipais e um tempo de viagem mais curto é o principal trunfo apontado pelos pesquisadores para atrair fazer os usuários trocarem carros e ônibus pelo trem regional de passageiros.

A partir do levantamento da demanda existente e dos custos de operação e manutenção, o Labtrans sugere ser possível praticar uma tarifa média variável entre R$ 3,50 e R$ 3,97, cobrada no percurso entre cada um dos municípios. No caso do trecho Pelotas-Rio Grande, esse valor equivale a 36% do preço de uma passagem em ônibus, que hoje é de R$ 11,00.

De ponta a ponta em 2h40min
A combinação do trajeto elaborado com o uso de veículos leves sobre trilhos (VLTs) capazes de atingir uma velocidade média de 80 km/h faz com que o tempo de viagem entre o centro do Capão do Leão e a Querência possa ser de duas horas e 39 minutos, já computados os intervalos necessários para embarque e desembarque de passageiros. A partir disso, uma viagem entre Pelotas e Rio Grande poderia ser feita em uma hora e nove minutos. Os ônibus comuns fazem o mesmo trajeto em uma hora e 20 minutos. O intervalo entre um trem e outro, conforme o estudo, deverá ser de 60 minutos.

A busca por investidores
A aprovação do governo federal está sendo amplamente comemorada pelos membros do Comitê de Mobilização em Defesa do Trem Regional de Passageiro, criado em 2011 para fazer a defesa do projeto. Para o deputado federal Fernando Marroni (PT), coordenador do comitê e principal defensor da proposta em Brasília, a boa notícia não pode desviar o foco do trabalho que agora parte para outra etapa: a atração de investidores privados. “Vencemos a primeira parte da batalha, mas precisamos manter a mobilização regional para fazer o trem, literalmente, ir para os trilhos e isso, significa, trabalhar junto com o governo na atração de parceiros interessados em investir no projeto que consideramos essencial para qualificar a mobilidade na região”, argumenta.

É um bom negócio
Mais do que um calhamaço de 540 páginas, o estudo do Labtrans surge como o grande aliado das lideranças regionais no trabalho de atrair investidores, afinal de contas indica que a soma de uma tarifa de R$ 3,40 com uma demanda que pode chegar a 14 milhões de passageiros em 30 anos será capaz de gerar um valor nominal de R$ 2,43 bilhões no mesmo período, o que é bem mais do que os R$ 288 milhões sugeridos como investimento da iniciativa privada no negócio.

Relembre
A ideia de implantação de um trem regional de passageiros interligando Capão do Leão, Pelotas e Rio Grande/Cassino é do início dos anos 2000, mas ganhou força a partir de fevereiro de 2011, após a intervenção de Marroni junto ao Ministério dos Transportes para liberação dos recursos destinados à realização do estudo de viabilidade técnica e que estava suspensa desde 2010.
Em 2011, como forma de mobilizar a região e pressionar o governo federal a disponibilizar os recursos, foram realizadas audiências públicas nas três cidades e criado um comitê regional integrado por lideranças políticas e empresariais, para negociar junto ao Ministério dos Transportes. Em 2012 o ministério liberou R$ 750 mil necessários à realização do estudo, realizado pelo Labtrans da Universidade Federal de Santa Catarina e concluído este ano.

Fonte: Diário Popular

Comentários

  1. excelente notícia! a muito esperávamos por tal condição de transporte. trará com certeza maior desenvolvimento ao nosso município!

    ResponderExcluir

Postar um comentário