Crônica: Um velho para ensinar

*Por Dr. Valdecir Lima

Se eu pudesse voltar no tempo,
Voltaria... só para ver...
O que não pude enxergar,
Para escutar,
O que não pude ouvir.
Como é ditador e cruel este tempo,
Leva pela frente orgulhos e vaidades,
A estragar os sonhos de felicidades.
O tempo não titubeia,
E não dá tempo...não deu tempo.
É tarde diz a consciência,
Aprendi...mas também perdi,
O que não quis aprender,
Porque deixei de ver e ouvir,
Fui cruel e ditador comigo,
Faltou-me a humildade, para me dobrar,
Diante do conhecimento,
E da experiência oportunizada por este tempo,
Que argumenta não ter culpa de nada,
Quer ser bem aproveitado,
Não é cruel e nem ditador,
Mas justo, edificador e disciplinador,
E o tempo dá tempo ao arrependimento,
E ao perdão,
Para aprender com a história,
Que não se apaga com os cabelos brancos,
Mas que se perpetua através das gerações,
Porque sempre...sempre haverá um  VELHO PARA ENSINAR,
E até mesmo para contar um causo qualquer;
O exemplo de meu pai... meu velho, meu querido velho;
Eram verdadeiras lições de vida, a cada dia, a cada ano,
Ah! Como eu queria voltar!
Àquelas noites de inverno, próximo ao fogão à lenha,
Ou às noites de janelas escancaradas ao luar,
E à meia noite, quando mais um ano se despedia,
Ouvir contigo, PAI, o foguetório...o  apito das fábricas...e das sirenes!
Infelizmente... isto tudo já passou,
Não volta mais, nunca mais!
Mas...  MEUS FILHOS venham Cá!  Venham! Depressa! Depressa!
Aqui...Aqui nesta janela,
Que este Ano já vai embora,
Acho que posso...  vos ensinar alguma coisa! Para ver... o que não vi,
E escutar ...o que não ouvi!
                                
Com uma visão para cima, para o criador e administrador do Universo, desejo um feliz e abençoado 2015 para todos! Vamos aproveitar bem o tempo.

*Dr. Valdecir Rodrigues de Lima é médico clínico-geral, biólogo e vereador leonense no segundo mandato.
Os textos assinados não representam necessariamente a opinião do Diário Leonense e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.

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