Entidades empresariais representam quase 90% das organizações e pagam os salários mais baixos

Em 2013, as entidades empresariais representavam 89,9% das 5,4 milhões de empresas e outras organizações do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE) do IBGE. Em cinco anos, a participação das empresas, que já eram predominantes em 2008 (89,1%), aumentou em 0,8 ponto percentual (p.p.). Apesar de serem preponderantes, em 2013, as entidades empresariais pagaram os salários médios mensais mais baixos (R$ 1.889,29). Os órgãos da administração pública, por sua vez, pagaram os salários médios mensais mais elevados (R$ 2.987,09), seguidos das entidades sem fins lucrativos (R$ 2.016,42). 
O CEMPRE reúne informações cadastrais e econômicas de empresas e outras organizações (administração pública, entidades sem fins lucrativos, pessoas físicas e instituições extraterritoriais) formalmente constituídas no país e suas respectivas unidades locais (endereços de atuação das empresas e outras organizações). 
As 5,4 milhões de empresas e outras organizações formais do CEMPRE ocupavam, em 2013, 55,2 milhões de pessoas, sendo 47,9 milhões (86,8%) como pessoal assalariado e 7,3 milhões (13,2%) como sócios ou proprietários. Os salários e outras remunerações pagos por essas empresas naquele ano totalizaram R$ 1,3 trilhão, e o salário médio mensal foi de R$ 2.127,73, equivalente a 3,1 salários mínimos. Na comparação com 2012, houve um incremento de 3,8% no total de empresas e outras organizações ativas (197,0 mil). O pessoal ocupado total cresceu 3,3% (1,8 milhão), sendo que o pessoal ocupado assalariado aumentou 3,6% (1,6 milhão) e o número de sócios e proprietários cresceu 1,9% (134,6 mil). O total de salários e outras remunerações aumentou 6,1%, enquanto o salário médio mensal cresceu 3,7%, em termos reais. 
De 2008 a 2013, as empresas e outras organizações geraram 9,5 milhões de novos empregos, sendo 22,3% na seção Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas; 12,5% em Atividades administrativas e serviços complementares e 12,0% em Construção.  

Administração pública tem maior salário médio, mas perde participação no total das remunerações 
Em 2013, as entidades empresariais representavam 89,9% das empresas e outras organizações do CEMPRE, 76,1% do pessoal ocupado total, 73,2% do pessoal ocupado assalariado e 64,3% dos salários e outras remunerações. Em cinco anos, a participação dessas entidades, que já era predominante em 2008 (89,1%), aumentou em 0,8 ponto percentual (p.p.) no total das empresas e outras organizações ativas. Este aumento apresentou reflexos nas variáveis econômicas, com avanço de 2,3 p.p. no pessoal ocupado total (de 73,8% para 76,1%); de 2,9 p.p. no pessoal ocupado assalariado (de 70,3% para 73,2%); e de 2,2 p.p. em salários e outras remunerações (de 62,1% para 64,3%). 
Os órgãos da administração pública, apesar de representarem somente 0,4% das empresas e outras organizações, absorveram 17,5% do pessoal ocupado total, 20,2% do pessoal ocupado assalariado e pagaram 29,4% dos salários e outras remunerações. De 2008 a 2013, a participação da administração pública no número de empresas não mudou (0,4%), mas houve redução nas outras variáveis. No caso do pessoal ocupado total, a redução foi de 19,5% para 17,5% (-2,0 p.p), no pessoal assalariado, de 22,6%, em 2008, para 20,2% (-2,4 p.p) e em salários e outras remunerações, de 31,3% para 29,4% (-1,9 p.p.). As entidades sem fins lucrativos, com 9,7% das empresas e outras organizações, foram responsáveis por 6,4% do pessoal ocupado total, 6,6% do pessoal ocupado assalariado e 6,3% dos salários e outras remunerações pagos no ano, também apresentando redução nessas variáveis entre 2008 e 2013. 
Apesar de serem predominantes, em 2013, as entidades empresariais pagaram os salários médios mensais mais baixos (R$ 1.889,29). Os órgãos da administração pública, por sua vez, pagaram os salários médios mensais mais elevados (R$ 2.987,09), seguidos das entidades sem fins lucrativos (R$ 2.016,42). 

Organizações com mais de 250 pessoas empregavam 54,1% dos assalariados 
Em 2013, do total de empresas e outras organizações, 87,9% tinham até 9 pessoas ocupadas, 10,3% tinham de 10 a 49 pessoas, 1,4% tinham de 50 a 249 pessoas e 0,4% tinham 250 pessoas ou mais. Apesar do predomínio das empresas de menor porte na estrutura empresarial brasileira, aquelas com 250 pessoas ou mais ocupadas apresentaram as maiores participações nas variáveis analisadas: pessoal ocupado total (47,0%), pessoal ocupado assalariado (54,1%) e salários e outras remunerações (69,0%). 
Em termos salariais, os valores apresentam relação direta com o porte. Os salários médios mensais mais elevados foram pagos pelas empresas e outras organizações com 250 pessoas ou mais (R$ 2.750,11), enquanto os menores valores, por aquelas com até 9 pessoas ocupadas (R$ 1.120,25). 

Comércio absorveu 22,3% dos empregos gerados entre 2008 e 2013 
De 2008 a 2013, as empresas e outras organizações geraram 9,5 milhões de novos empregos, sendo 22,3% na seção Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas; 12,5% em Atividades administrativas e serviços complementares e 12,0% em Construção. Assim, as participações relativas no pessoal ocupado assalariado aumentaram nestas atividades, sendo que o crescimento mais expressivo se deu na atividade Construção, que passou de 5,2% para 6,6% (1,4 p.p.). Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas cresceu de 18,4% para 19,1% (0,7 p.p.) e Atividades administrativas e serviços complementares passaram de 8,5% para 9,3% (8 p.p.). 

Diferença salarial entre homens e mulheres volta a aumentar em 2013 
Em 2013, no âmbito empresarial, 57,0% do pessoal ocupado assalariado eram homens e 43,0%, mulheres. A participação feminina cresceu 2,6% em relação a 2009, quando era de 41,9%. De 2012 para 2013, o aumento do número de mulheres (4,2%) foi superior ao de homens (3,1%), e a participação feminina na variação de pessoal ocupado assalariado foi superior à masculina: enquanto os homens contribuíram com 49,4% (814,5 mil pessoas), as mulheres contribuíram com 50,6% (833,2 mil pessoas). A participação feminina foi maior na administração pública (58,9%) e nas entidades sem fins lucrativos (55,1%), enquanto nas entidades empresariais a maior parte dos assalariados eram homens (62,3%). 
Em termos salariais, em 2013, os homens receberam, em média, R$ 2.334,46 e as mulheres, R$ 1.855,37. Ou seja, o salário das mulheres era equivalente a 79,5% do salário dos homens. Essa diferença, que havia recuado entre 2011 e 2012 (de 25,7% para 25,3%), voltou a aumentar entre 2012 e 2013, passando para 25,8%. 

Pessoas com ensino superior ganham mais
Por nível de escolaridade, em 2013, 18,5% das pessoas ocupadas assalariadas possuíam nível superior e 81,5% não possuíam. Em 2009, a proporção de assalariados com nível superior era de 16,5%, o que representa uma variação de 12,2% em relação a 2013. De 2012 para 2013, a participação dos assalariados sem nível superior na variação do pessoal ocupado assalariado foi de 60,2% (991,2 mil pessoas), enquanto a contribuição daqueles com nível superior foi de 39,8% (656,5 mil pessoas). 
A participação do pessoal ocupado assalariado sem nível superior predomina nas entidades empresariais (88,9%), no entanto, a participação daqueles com nível superior vem aumentando em todos os tipos de organizações, sendo mais expressiva na administração pública (42,1%). A diferença salarial entre os níveis de escolaridade diminuiu de 215,0% em 2012 para 209,8% em 2013. O pessoal ocupado assalariado com nível superior recebeu, em 2013, em média, R$ 4.726,21, enquanto o pessoal sem nível superior, R$ 1.525,36. 

Texto: Rogério Krause,  chefe agência IBGE Pelotas

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